sábado, 22 de maio de 2010

Complicado



Cresceu.
E tudo dito simples
Pelo dito cujo,

Agora é dito
Pelo mesmo:
Complicado.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A # (lá - sustenido)...


A fala que falta
No meu ato
De fato
É lingua.
De tinta - cor
Transparente
E acordes descompassados
De A (lá) sustenidos.

sábado, 8 de maio de 2010

A luz é sempre mais pesada...



O doce da luz.
Entra repele

(...)

a sombra.


O amargo da sombra.
Sai e absorve

(...)

a luz.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Tudo de lata oxida...


E lá estava.
Em cima do armário.
O meu homem de lata.
Tão cheio de ferrugem.
E seco de sentidos.

Ele mal sabia existir.
Ele mal sabia que existia.
Via alto no seu ângulo limitado.
Tudo o que não podia ser.                                                                                                                               
E quase sem querer.
Sentia.
Um coração.
Sem sentido.

Posicionado meio torto.
Meio triste.

Oxidando-se num tempo.
Em que abridores de lata eram.

Abridores de lata.

Como é orgástico escrever e ser lida...


Oferece a mão.
E não se contenta.
Quer dá mais que isso.
Sem pedido.
Sem aviso prévio de posse verbal.

(...)

Já se encontra de páginas abertas.
Derrete as palavras.
É corpo de livro.
Cheio de verbos e preposições.
E língua sem trema.
Mas treme.
E como treme.
E come.
E treme.
E derrete a vogal A.


Ahhh.